A Arte (Quase) Zen de Desenvolvimento de Software

Eu trabalho numa “agência digital”, o que é muito interessante. Acima de tudo, significa fazer parte da publicidade em um meio que sequer ainda não consolidou como confiável, nem como formador de opinião e, principalmente, nem como fonte de muita grana pra muita gente.

E se alguém me disser que esse momento já chegou, só posso dizer que essa pessoa ainda não viu nada…

Mas, voltando, fazer software está começando a ficar atrativamente complexo. Tecnicamente, de fato, sempre foi, e está cada vez mais. Mas o lado tecnológico é só um meio, e não o fim.

O software ainda não deixou realmente de ser uma commodity. Não há realmente valor agregado. Com o boom da Internet na década passada, e com o aparecimento do movimento open-source, isso só piorou. Mas, nesses tempos de iPhones, iPods e iMacs (dá-lhe Apple), talvez isso tudo esteja começando a mudar.

Em produtos com valor agregado, a função no fim das contas nem é tão importante. O que realmente interessa em um Porsche é o fato dele ser um Porsche. Simples assim. O resto é conseqüência. A Porsche não precisa “provar” que seus carros têm qualidade técnica, isso é o mínimo esperado. E, acima de tudo, a experiência oferecida por um Porsche é única, distinta de qualquer outra, mesmo de outros carros.

Ainda não chegamos realmente nesse ponto na indústria de software. Mas já se nota que um software é mais que um amontoado lógico de bytes. Ou pelo menos pode ser.

Ele pode ser uma forma de experiência pessoal.

Ele pode ser não só agradável e intuitivo, mas também instrutivo, curioso, instigante, engraçado, irritante, e até comovente.

Ele pode ser isso tudo de forma intencional.

Pois um software é, essencialmente, uma forma de comunicação algorítmica.

Podemos nos comunicar com os outros diretamente, através da linguagem. Mas também através da arte. Através de imagens, esculturas, histórias, interpretações teatrais.

Na linguagem a comunicação é simultânea, concomitante, full-duplex.

Já na arte, até hoje quase de forma exclusiva, a comunicação se dá em uma única direção de cada vez, e dificilmente de uma forma que não seja do artista para o expectador.

O software permitirá que o artista estabeleça um relacionamento com o seu leitor, expectador ou consumidor, sem realmente conhecê-lo. E isso nunca aconteceu antes. E isso só é possível através da computação.

E se alguém me disser que esse momento já chegou, ah, cala a boca!

Sem comentários ainda

Nenhum comentário ainda.

Comentários RSS URI identificador do TrackBack

Deixe um comentário