The Hardest Walk

É, eu tô ligado que eu tenho dificuldade com coisas que, para os outros, são banais.

OK, eu também tenho facilidade com coisas que, para os outros, talvez sejam muito difíceis. Faz parte.

Mas enfim, o primeiro grupo é que me incomoda. E uma dessas coisas é, hm, caminhar. Tipo, andar mesmo. Pô, é complicado.

Primeiro, você tem que balançar os braços. E de forma oposta. Poxa, quando o direito vai pra frente, o esquerdo tem que ir pra trás! Sei lá, isso me perturba um pouco. A posicão adequada da cabeça em relação à coluna, e a dos olhos em relação ao solo também me causam um certo transtorno.

E a velocidade, então? Caramba, afinal, qual é a velocidade adequada para uma caminhada? Andar devagar me causa um pouco de ansiedade. Tipo, demora muito!

Por isso me acostumei a andar rápido. O mais rápido possível (ou seja, um pouco antes de entrar no estágio de marcha atlética). Com a idade, começou a me faltar um pouco de fôlego, mas tudo bem. Depois é só tomar um banho. E pelo menos é uma forma de exercício.

Mas o pior inconveniente não é o suor, ou as bolhas nos pés, ou os tênis que começam se esfarelar com poucos meses de uso. O pior, o mais irritante mesmo é o fato de que, por mais que você caminhe rápido, sempre vai aparecer alguém caminhando mais rápido ainda. Sempre. É inevitável.

Eu tô lá, pacificamente ultrapassando todo mundo na calçada, quando de repente passo por um moleque de 18 anos, que nem estava andando tão rápido assim, e esse filho de uma rameira, por algum motivo absolutamente irrelevante, decide que vai andar mais rápido que eu. Porra, porque foi decidir isso logo na hora que eu fui passar? Que saco, eu caminho rápido justamente por não querer a companhia, mesmo que momentânea, de ninguém! E fica aquele constrangimento, tipo, pô, eu deixo ele passar, ou aumento o passo? E se ele aumentar também? Será que, se eu rosnar pra ele, ele pára com isso?

Ou então aparece um cara, não se sabe vindo de onde, querendo dar uma de velocista. Eu ando rápido. E já tenho alguma agilidade nisso, afinal mais de 30 anos praticando. Mas de repente, ao meu lado, começa a passar algum transeunte com complexo de inferioridade andando a, no máximo, uns 0,0003 km/h a mais que eu. Sério, demora uns 3 minutos só pra conseguir me ultrapassar com um corpo de distância. Ultimamente eu até tenho parado, fico com pena. Pô, apareceu um cara que consegue ser mais maluco que eu, deixe ele passar, coitado.

Na verdade, os seres-humanos que se dizem normais podem perceber essa curiosa tendência humana no trânsito, não no de pessoas, mas no de automóveis. Às vezes você está dirigindo seu carro, com pressa, ou porque dormiu demais e está atrasado pro trabalho, como sempre; ou porque acabou de passar por um radar e sabe que o próximo vai demorar ainda 3 quilômetros para aparecer, o que causa, por algum motivo indefinido, que seu pé direito pressione um pouco mais o acelerador. O motivo não importa. O que importa, neste caso, é que, fatalmente, alguns carros irão automaticamente aumentar a velocidade quando você tentar ultrapassá-los.

Pois é, e as pessoas agem da mesma forma quando estão andando. E isso é muito, muito irritante. Afinal, para elas é uma opção andar mais devagar. Para mim, não! Eu não sei andar devagar. Eu me perco todo, caramba!

Mas poderia ser pior. Afinal, ainda não existe multa para pedestres com excesso de velocidade. Fiz bem em vender meu carro!

1 Comentário

  1. Nossa que evolução do primeiro post para este… Superbem escrito.
    Bjo. =D
    Flavinha


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